O mar avança
Durante nosso último dia de caminhada encontramos alguns moradores costeiros que falaram da praia do Hermenegildo como sendo o lugar onde as casas estariam caindo “dentro” do mar.
Pouco tempo depois, ver o balneário deixou evidente que a expressão não era brincadeira. Esta praia, a exemplo do que também acontece em outros pontos do litoral, teve muitas casas destruídas e outras tantas estão ameaçadas pela ação do mar.
Conversamos com muitas pessoas, mas ninguém soube dizer ao certo o motivo. Há os que defendem a idéia de que a erosão das praias é um movimento natural da areia que é arrastada de um ponto para outro e há quem diga que a maneira errada de ocupar o litoral tem favorecido esse tipo de problema.
Não sabemos e, ao que parece, nem mesmo a ciência tem certeza. Ainda assim encontramos um artigo bacana chamado As praias perdidas que tenta lançar alguma luz sobre o assunto.
Por outro lado, comprovamos que o tema rende fotos interessantes. Antes mesmo de Rio Grande encontramos o que sobrou do Farol da Conceição, que desabou em 1993. Outrora ficava a 80m do mar. Agora o que restou da base está dentro d’água e serve de ponto de descanso para alguns lobinhos.
Por sinal, logo ao lado do farol caído há um novo. Não passa de projeto utilitário construído em estrutura de metal, um esqueleto bastante sem graça se comparado ao farol antigo.
Sobre os Mares do Sul
Durante os 35 dias que viajamos pelo litoral, foi apenas em um destes que encaramos o banho de mar. Nos outros, embora o visual do mar convidasse, a temperatura não ajudava. Enfim, valeu a pena. Até por que já estávamos sem qualquer tipo de banho há vários dias.
Seja o que for, impressão influenciada pelo bom tempo, ou constatação da realidade, foi entre a praia do Cassino e o Hermenegildo que tivemos como companhia um mar verde, limpo e calmo, digno das praias do nosso estado vizinho.
Em geral, como não podia deixar de ser, tivemos dias com muito vento e mar bastante revolto.
Não sabemos se a regra segue pelo resto do ano, mas arriscamos dizer que o mar é mais belo para o sul.
Sobre a experiência adquirida

Podemos dizer que O Caminho da Praia iniciou durante um inocente bate-papo permeado por alguns copos de cerveja. Com a proposta de caminhar por todo o litoral do RS, seguiram-se muitos dias de divagações e idéias que duraram até o momento em que realmente tinhamos certeza que a idéia sairia do papel.
Neste meio tempo muitas coisas importantes aconteceram. Tivemos a captação de dinheiro via Catarse, que serviu como catalisador desse processo de concepção. Tivemos a resposta positiva de muitas pessoas que nos ajudaram, coisa que não apenas possibilitou a viagem com um mínimo de recursos, mas também contribuiu sobremaneira para aumentar o entusiasmo com o projeto. Por fim partimos. Caminhamos, fotografamos, vivemos, conhecemos pessoas, escrevemos, publicamos neste blog e voltamos, passados 35 dias.
Há sim, agora, experiência vivida para contar. Portanto, os relatos deste blog, que antes entravam como se fossem páginas de um diário agora devem ter um ponto de vista um pouco diferente. A idéia agora é refletir um pouco sobre o que passamos e mostrar isso por aqui nos próximos posts.
Na capital
Antes que saiam perguntando como está e por anda o Garmin, informamos que encontra-se muy bien, perfeitamente adaptado à nova vida e aos passeios (de coleira e guia) no Parcão!
Num sábado de sol
Nosso amigo Garmin apareceu no dia 24 de setembro, num sábado de sol – depois de bastante chuva no dia anterior.
Essa foi a primeira foto que fizemos do grande astro da viagem!

Chegada
Queres ver como foi a nossa chegada na Barra do Chuí? Então confere o vídeo que mostra o momento em que literalmente batemos contra os molhes que limitam o litoral do RS ao sul, ainda com fôlego para caminhar um pouco mais neste último dia, mas já sabendo que a fase mais difícil desse projeto já estava terminando.
Ao todo foram 35 dias longe de casa.
Destes, 25 foram ocupados com caminhadas. Cerca de 1.000.000 de passos foram dados. Emagrecemos entre 5 e 7kg e fizemos mais de 8mil fotografias.
Vamos seguir postando material e novidades. Principalmente porque a caminhada foi a primeira fase. Ainda temos que organizar tudo e apresentar esse material de alguma maneira, além de enviar as cópias prometidas para todos que investiram na gente através do catase.me.
Gostaríamos de agradecer desde já a todos os que nos ajudaram e incentivaram. Não foram poucos. Em especial queremos dizer MUITO OBRIGADO ao amigo e colega Tamires Kopp, para nós o terceiro integrante do projeto (Garmin é o quarto), pelo constante incentivo além do incansável apoio logístico.
Por fim, um retrato nosso neste momento. Dá-le!

622km
É bem verdade que o litoral do RS não tem exatos 622km. Mas uma variação aproximada disso. Seja por conta da inexatidão dos métodos de medição, ou simplesmente pela variação que ocorre a cada ano na faixa de areia do litoral, achamos por bem deixar esse valor como referência aproximada do que caminhamos.
Até podemos dizer que fizemos bem mais que isso. Pois não foram poucos os momentos que tivemos que andar em zigue-zague para nos desviarmos de locais com areia fofa.
Em média caminhamos 25km por dia. Isso contando apenas os dias que caminhamos, pois durante os dias chuvosos preferimos não avançar. Tanto para evitar que barraca, sacos de dormir e roupas ficassem ensopados e sujos, como para não deixarmos sem a devida atenção das nossas lentes nenhum trecho do caminho.
E foi assim que o nosso GPS marcou 26km para a barra do Arroio Chuí no último dia.
Noturnas
Em locais sem luz elétrica os céus estrelados costumam render. Espetáculo para os olhos e também um bom motivo para se fazer fotos de longa exposição.
Quebra na monotonia
É curioso encontrar algumas bóias tão grandes pela praia. Mesmo que tenhamos encontrado de tudo, o tamanho de algumas impressiona.
Também por isso acabam quebrando um pouco a monotonia de algumas partes desertas do litoral. As que encontramos pelo caminho sempre renderam boas fotos.







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